Problemas ortopédicos, relacionados à má utilização de bolsa feminina, têm se tornado cada vez mais comuns em nossos consultórios. O problema básico se deve ao excesso de peso da bolsa, e ao fato de carregar o acessório, geralmente, com apoio unilateral no ombro ou no antebraço.

Carregar a bolsa, de um lado só, pode gerar problemas ortopédicos de coluna e problemas articulares múltiplos, uma vez que há alteração da simetria do esqueleto e da musculatura.

Queixas frequentes como dor cervical, ombro ou antebraço são comuns em mulheres que carregam bolsas muito pesadas. Até mesmo, queixas álgicas em quadril e joelho são frequentes. Estudos mostram que um quilo adicional, carregado no ombro, pode sobrecarregar em até três ou quatro vezes as articulações de membros inferiores.

Para o bom funcionamento do corpo, os dois lados têm que estar em total equilíbrio. O grande problema da dor causada pelo uso inadequado de bolsas é que ela pode se tornar crônica, desencadeando problemas mais graves, que necessitam de tratamentos como fisioterapia e medicação.

A mudança de hábito é imprescindível, pois com o excesso do peso do acessório, associado a movimentos repetitivos e a falta de exercícios de compensação muscular, a possibilidade de adquirir um processo inflamatório articular ou muscular é grande.

Socialmente, sei que é difícil e contra a moda, mas o mais recomendado seria uso de mochila, uma vez que ela mantém uma postura mais adequada da coluna e divide o peso dos objetos mais simetricamente. Outra opção também é o uso de bolsas com alças longas transversais, que também podem minimizar a sobrecarga articular em um único lado.

Na prática diária, sugiro que:

  1. Otimize os objetos que você usa na bolsa, tornando-a mais leve;
  2. Corrija distúrbios posturais pré-existentes;
  3. Carregue os aparelhos eletrônicos, como o laptop, em uma mochila;
  4. Divida o peso da bolsa com uma pasta acessória, para livros ou agendas;
  5. Realize trocas frequentes de bolsas, com formatos e pesos diferentes;
  6. Alterne a bolsa de ombro ou leve-a nas mãos por algum tempo;
  7. Realize alongamentos rotineiramente para prevenção de lesões por esforços repetitivos;
  8. Procure seu ortopedista de confiança se tiver dores frequentes

 

Por: Dr. Márcio Hiroaki Kume – Médico ortopedista na InCórpore 

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