Conforme uma pessoa envelhece, o risco de cair aumenta e qualquer tombo pode gerar grande impacto na vida do idoso, pois é um desencadeador de lesões e fraturas. No Brasil, aproximadamente 29% dos idosos caem pelo menos uma vez ao ano e 13%, frequentemente.

A queda tem grande relação com o nível de morbidade, doenças neurológicas que afetam o sistema motor, déficit visual, diminuição da acuidade visual, alteração da capacidade de adaptação visual ao escuro, menor percepção de profundidade e da visão periférica e uso de calçados inadequados. O próprio processo de envelhecimento também leva a mudanças na composição de fibras musculares com a perda progressiva de fibras rápidas responsáveis pelo tempo de reação rápida, o que diminui a eficácia das estratégias motoras do equilíbrio corporal. Ainda há a mudança do padrão de marcha ao caminhar, idosos tendem a diminuir o balanço dos braços, rotação da pelve e do apoio unipodal.

Associado a todas essas mudanças que ocorrem no envelhecimento, a infraestrutura inadequada também influencia a mobilidade. Buracos na calçada, má iluminação e falta de acessibilidade em estabelecimentos são grandes vilões. Dentro de casa também há muitos fatores que expõem o idoso ao risco de queda, por exemplo, manter móveis e objetos no chão que dificultem a passagem livre, tapetes etc.

Alguns fatores de risco para queda:

  • Idade igual ou maior a 75 anos;
  • Sexo feminino;
  • Declínio cognitivo;
  • Inatividade física, fraqueza muscular e distúrbios do equilíbrio, marcha ou de mobilidade;
  • História prévia de acidente vascular cerebral;
  • Quedas anteriores e fraturas;
  • Comprometimento na capacidade de realizar atividades de vida diária;
  • Uso de medicações psicotrópicas e polifarmácia (consumo de várias medicações concomitantes).

“Idosos tendem a ocultar quedas, pois acreditam que isso é um evento natural da idade. Mas cair não é normal! Fique sempre de olho. É muito importante analisar a circunstância da queda, sua frequência e buscar ajuda médica.”

Complicações

Os acidentes são a quinta causa de morte entre os idosos e as quedas, responsáveis por dois terços dessas mortes acidentais. Além da alta mortalidade, destacam-se ainda como consequências relevantes o fato da queda causar restrição de mobilidade, incapacidade funcional, isolamento social, insegurança e medo de cair, que afetam de forma significante a qualidade de vida.

Prevenir é melhor que remediar

As intervenções mais eficazes baseiam-se na identificação precoce de idosos com maior chance de sofrer quedas. Sendo assim, é muito importante realizar a prevenção do problema e fazer o manejo de riscos modificáveis.

Estas estratégias podem ser facilmente adaptadas e ajudam muito a evitar problemas:

  • Colocar tapetes antiderrapantes nos banheiros;
  • Retirar tapetes de portas, corredores e salas;
  • Usar dispositivos de marcha (como bengalas);
  • Vestir calçados fechados;
  • Instalar corrimãos.

O Ministério da Saúde preconiza que, associada a estas estratégias, é importante o idoso se manter fisicamente ativo, fortalecer a musculatura e desenvolver o equilíbrio e propriocepção por meio de exercícios específicos, o que reduz o risco de quedas em até 37%.

Procure profissionais da saúde para prevenção e tratamento.

*Colaboração da fisioterapeuta Dra. Renata Luri e da fisioterapeuta Amanda Chimura, pósgraduanda em ortopedia e traumatologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Referências:

  • Leme L.E.G, et al. Orthopedic surgery among the elderly: clinical characteristics. Rev Bras Ortop. 2011;46(3):238-46.

  • Quintas S, et al. Análise da morbimortalidade dos pacientes com fraturas peritrocantéricas tratadas cirurgicamente com haste intramedular de fêmur proximal. Revbrasortop, 2018.

  • Soares D.S, et al. Femoral fractures in elderly Brazilians: a spatial and temporal analysis from 2008 to 2012. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 30(12):2669-2678, dez, 2014.

  • Abreu D. et al. Fall-related admission and mortality in older adults in Brazil: trend analysis. Ciência & Saúde Coletiva, 23(4):1131-1141, 2018. – https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2014/10/queda-idosos.pdf

Originalmente publicado em Viva Bem (UOL), por Paola Machado

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