X
Agende seu Exame ou Consulta
Whatsapp
E-mail
Clique aqui
Clique aqui

Estamos cada vez mais longe da natureza: cada vez mais as pessoas vivem nas cidades, onde existem oportunidades e recursos, mas muito pouco verde. No entanto, quem consegue manter uma conexão maior com o meio ambiente tem benefícios imensos para a saúde.

Saiba quais são os principais benefícios de ter um contato maior com a natureza:

Ajuda na saúde física: Para começar, viver perto da natureza pode fazer maravilhas pela sua saúde. Pelo menos é o que um estudo realizado em conjunto pela Universidade de Harvard e o Brigham and Women’s Hospital descobriu após entrevistarem mais de 108 mil mulheres, concluindo que a taxa de mortalidade daquelas que viviam em áreas mais verdes era 12% mais baixa do que aquelas vivendo em centros urbanos menos arborizados. Contemplar a natureza faz bem ao corpo e à mente

Os dados específicos para cada doença mostram ainda mais esses benefícios: os riscos eram 41% menores para morte relacionada a doenças renais; 34%, em casos de doenças respiratórias; e 13%, em casos de câncer.

Melhora a saúde mental: Na pesquisa acima, os especialistas sugerem que entre os fatores que reduzem essa mortalidade está o cultivo da saúde mental, que eles estimam ser responsável por 30% da melhora na saúde de viver em áreas mais verdes.

E não precisa ser só perto de florestas: outro estudo realizado pelo periódico Heath & Place descobriu que viver perto de um mar ou rio pode reduzir o estresse.

Existem diversos motivos para isso: o primeiro é que nas grandes cidades pode existir uma relação menos profunda com as situações do dia a dia, até mesmo devido à grande quantidade de informações a que somos expostos. O contato com a natureza pode nos reconectar com uma maior entrega e presença em experiências.

Reduz estresse e a hipertensão: Viver em locais com mais verde pode beneficiar a memória de crianças. Mesmo que você não viva em uma região mais arborizada, frequentar locais verdes ajuda muito na saúde. Tanto que no Japão existe um conceito chamado “banho de floresta” (em japonês, shinrin-yoku) em que as pessoas passam alguns momentos dentro da mata para relaxar.

De acordo com o estudo conduzido na Universidade de Chiba, e publicado em 2010 no periódico Environmental Health and Preventive Medicine, mostrou que a prática reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse), diminui a pulsação e a pressão arterial e até interfere no sistema nervoso simpático e no parassimpático.

Ajuda o nosso processo de cura: Cirurgias médicas causam estresse graças a dor, desconforto, preocupações sobre riscos de vida e o muitas vezes longo processo de recuperação. Com isso em mente – e com o desejo de melhorar a vida de seus pacientes – um hospital da Coreia do Sul realizou um teste em 2009, expondo plantas ornamentais a 45 pacientes que recuperavam-se de procedimentos cirúrgicos (em um grupo de foco com 90 indivíduos), acompanhando suas evoluções com diversos medidores físicos e psicológicos.

O resultado desta pesquisa, publicada em 2009 no periódico Journal of Alternative and Complementary Medicine, é surpreendente: as pessoas hospedadas em quartos com plantas apresentaram níveis de pressão

sanguínea mais baixos, menos dor, ansiedade e fadiga e sentimentos mais positivos, alegres e satisfeitos em relação ao ambiente.

E não foi só isso: enquanto 73% dos pacientes em quartos sem o contato com a natureza expressaram desejo de retornarem para ele em uma futura situação de necessidade, 93% dos indivíduos expostos às plantas expressaram a mesma vontade, comprovando que o contato havia sido extremamente benéfico. Na hora de analisar as melhores sensações no período de recuperação, as plantas superaram até mesmo o nascer do Sol (96% x 80%).

Turbina a memória: Se você é conhecido por não ter uma memória muito boa, a resposta para seus problemas pode se encontrar na natureza. Foi isso que um estudo conduzido pela Universidade de Michigan descobriu, ao realizar breves testes de memorização com dois grupos de estudantes e, em seguida, encaminhar um deles para uma caminhada em regiões arborizadas, enquanto o outro deu um passeio por uma área urbana. Quando retornaram, o mesmo teste de memória foi aplicado e o grupo que teve contato com a natureza mostrou um aumento de 20% na eficácia da prova, enquanto o “time da cidade” não apresentou melhoras significativas.

Dá um gás na concentração: Um estudo realizado em 1991 separou três grupos diferentes em situações variadas: um deles foi enviado para passar alguns dias ao ar livre, o outro concentrou suas atividades em terreno urbano e o terceiro apenas manteve suas tarefas do dia a dia. Em seguida, a habilidade de concentração de cada um foi testada. Sabe quem demonstrou estar mais focado? Isso mesmo: aqueles que tiveram contato com a natureza.

E não são apenas adultos que podem ter benefícios na concentração graças a essa “mãozinha” do meio ambiente: outra pesquisa concluiu que crianças com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade tiveram um aumento na

capacidade de concentração após 20 minutos de caminhadas no parque. Segundo os pesquisadores, “doses de natureza podem servir como uma ferramenta segura, gratuita e acessível para lidar com os sintomas do transtorno.”

Beneficia a saúde (física e mental) das crianças: Para além dos benefícios explícitos do contato com a natureza por parte de crianças – a diversão, socialização e entendimento do meio-ambiente -, este tipo de exposição também pode afetar uma parte bem prática da saúde dos pequenos: a visão. Isso porque um estudo realizado em 2012 descobriu que atividades em meio a natureza reduzem o risco do desenvolvimento de miopia.

Para levar isso além, uma escola de Taiwan realizou outra pesquisa em duas escolas com um nível equivalente de miopia entre as crianças. Um dos colégios recebeu a instrução de estimular atividades externas com os pequenos, enquanto o outro manteve seu padrão diário. Um ano depois, a escola que levou seus estudantes à natureza com mais frequência teve uma diminuição de 17,65% nos índices da condição de saúde, enquanto a outra teve uma redução de apenas 8,41%.

Alie com exercícios e melhore os resultados

Os exercícios na natureza foram analisados em uma pesquisa na revista científica Environmental Science and Technology em 2010 analisou os impactos dos exercícios feitos na natureza na saúde mental de 1252 pessoas, incluindo homense mulheres de diferentes idades. Todos os participantes tiveram uma melhora na autoestima e humor, a primeira melhorou de forma mais visível nos jovens e em pessoas com doenças emocionais.

Isso é explicado pelos neurotransmissores cerebrais e taxas hormonais liberados durante os exercícios, que conseguem até mesmo reproduzir o efeito que os antidepressivos fazem. A equação é simples: uma pessoa que faz exercícios físicos consegue ter uma liberação natural de substâncias no cérebro que são as chamadas “substâncias da alegria” – dopamina, serotonina e outras que são produzidas a partir do estímulo cerebral causado no exercício físico.

Estar ao sol é ainda melhor

A vitamina D é importante para a saúde mental, e ela só pode ser produzida pelo organismo quando há contato com o sol. É muito comum ouvir falar de depressão sazonal em locais menos ensolarados do planeta, e podemos pensar sobre a vertente ambiental. No inverno, a interação entre pessoas diminui e há poucas atividades de lazer – em alguns países a noite dura muito, alterando todo o ciclo circadiano. E é fácil, no fim das contas, confundir sintomas da deficiência da vitamina D com sintomas de depressão leve. Se não tratados, eles podem desencadear uma depressão mais grave. É por isso que a exposição a ambientes ensolarados e ao ar livre podem ser benéficos para a saúde mental.

Encontre a natureza no seu dia a dia

Esse tempo na natureza não precisa ser diário. Um estudo publicado pela revista Nature em 2016, no entanto, aponta que a quantidade de tempo na natureza é importante. O estudo percebeu que cerca de 7% dos casos de depressão e 9% dos casos de hipertensão arterial poderiam ser prevenidos com a visita semanal a espaços de natureza por ao menos 30 minutos.

Se você sente vontade de entrar mais em contato com a natureza, mas não pode — por não ter fácil acesso –ou tem medo, há uma alternativa: ter mais

natureza em casa. Plantas ou mesmo uma horta no quintal ou dentro do apartamento ajudam.

E se decoração não é a sua onda e você não está muito empolgado para levar plantinhas ao seu lar, não tem problema: outro estudo publicado no Journal of Positive Psychology e realizado pela University of British Columbia descobriu que o ato de perceber a natureza ao seu redor – seja no caminho para o trabalho ou durante um almoço próximo a um parque – pode ter um efeito positivo no seu humor e bem-estar.

Sendo assim, não sobram dúvidas: se você tem alguma afinidade com tudo o que há “lá fora” para ser visto, admirado e aproveitado – ou se simplesmente deseja trazer um pouco do verde para sua casa ou reconhecer a natureza ao seu redor-, não pense duas vezes. No fim das contas, você estará fazendo muito mais do que um simples passeio ao ar-livre ou deixando seu lar mais belo: estará cuidando de si mesmo.

Fontes: Psiquiatra Flávio de Moraes Milaré, especialista em psicopatologia fenomenológica e membro do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da Vila Prudente (SP); psicólogo Guilherme Conti, formado em psicologia e mestre em filosofia pela PUC-SP; Lucas Francis, mestre em psicologia clínica e ex-integrante do do Proad (Programa de Orientação e Atendimento de Dependentes) da Universidade Federal de São Paulo. (Via UOL VivaBem)