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A cena se repete todo tempo: em ônibus, metrô, bares e restaurantes, percebem-se mais pessoas conferindo o celular do que fazendo qualquer outra coisa. Em uma época em que tudo pode ser resolvido com um clique, fica difícil desconectar até mesmo na hora de dormir. Mas ficar muito tempo olhando o celular pode fazer muito mal para a saúde, a ponto de danificar os ossos e as articulações e provocar a chamada síndrome do pescoço de texto. Mas, afinal, o que é isso?

Também conhecida como text neck, o termo engloba um conjunto de alterações osteomusculares na coluna cervical de pessoas que ficam muito tempo olhando celulares, tablets e outros aparelhos portáteis. Isso acontece porque, durante o uso, elas costumam adotar uma postura de flexão do pescoço, inclinando a cabeça para a frente.

“A força necessária para se manter o equilíbrio cervical aumenta à medida que há a inclinação da cabeça sobre o pescoço, de tal forma que, em posição neutra, ela pesa 5 quilos; sobe para 18 quilos aos 30 graus de flexão e para 27 quilos aos 45 graus. Isso sobrecarrega a coluna cervical de três a cinco vezes mais quando comparado com a postura neutra”, explica o dr. Lucas Cavalcanti, cirurgião de coluna do Hospital São Lucas Copacabana.

Segundo o especialista, além da força para manter a cabeça na mesma posição, há um aumento da pressão nos discos intervertebrais e distúrbios nas articulações da coluna cervical, o que contribui para que as articulações dessa área se degenerem mais rapidamente. Assim, os pacientes com essa síndrome costumam sentir dor atrás do pescoço que irradia para o couro cabeludo e os músculos da região dorsal e dos ombros, além de dores de cabeça e, em casos mais extremos, queixas pulmonares e cardiovasculares.

O diagnóstico é feito durante uma consulta com um médico especialista e pode haver a necessidade da realização de exames de imagem para confirmar a suspeita. Os principais hábitos que influenciam no desenvolvimento da síndrome do pescoço de texto são o grau de flexão do pescoço, a tarefa realizada no dispositivo e, principalmente, o tempo gasto. Especialistas concordam que a utilização de aparelhos eletrônicos por mais de cinco horas ao dia aumenta – e muito – as chances de evolução da patologia.

“Manter a flexão do pescoço acima de 20 graus durante mais de 70% do tempo total de uso do telefone celular também está relacionado com dores e contraturas musculares e, quanto mais inclinada a cabeça estiver, mais dolorida poderá ficar a musculatura. Além disso, os pacientes flexionam mais o pescoço para digitar do que para realizar ligações, relatando, assim, mais dor quando permanecem longos períodos escrevendo mensagens de texto”, afirma o especialista.

A melhor forma de tratar a doença é prevenindo-a. Manter o aparelho ao nível dos olhos, para reduzir a flexão do pescoço, pode adiar o aparecimento das alterações degenerativas e evitar o início precoce das dores cervicais. Uma vez que surgem as deformações osteomusculares, o tratamento mais indicado é o alongamento das estruturas cervicais anteriores e o fortalecimento da musculatura posterior acompanhado por fisioterapeuta e associado à terapêutica medicamentosa, com anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares.

Originalmente publicado em Vida e Saúde – Blog do Hospital São Lucas.