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Muitas vezes, a dieta pode pregar uma peça ao apresentar alimentos que pensamos não ser prejudiciais a nossa saúde. Esse é o caso de alguns produtos que são classificados como embutidos e que a gente nem sabe.

Para entender melhor, os alimentos embutidos são produzidos a partir da carne de bovinos, suínos, caprinos, ovinos, equinos, de aves, peixes e frutos do mar, além das vísceras e até sangue dos animais. Esses elementos são triturados, homogeneizados e embutidos sob pressão ou acondicionados em tripas naturais ou artificiais, utilizadas para protege-los das influências externas, ao mesmo tempo que lhe dá forma e estabilidade.

Esse tipo de alimento surgiu em um período em que havia necessidade de conservação de carnes, porém não existia a refrigeração, sendo conservados com a adição de sal. Hoje, os embutidos recebem adição de corantes, aditivos químicos (como nitratos e nitritos, para manter a cor vibrante), sal, açúcar e temperos artificiais, além de muitas vezes serem compostos por partes do animal pouco nutritivas e que seriam descartadas.

Quais alimentos são embutidos?

A lista é um pouquinho grande e pode até surpreender:

  • Linguiça;
  • Presunto (cozido, di parma, cru);
  • Salame;
  • Salsicha;
  • Apresuntado;
  • Peito de peru;
  • Blanquet de peru;
  • Mortadela;
  • Copa;
  • Pastrami;
  • Tender;
  • Lombo;
  • Salsichão;
  • Lombo defumado;
  • Morcela;
  • Paio;
  • Alguns rosbifes industrializados;
  • Carne enlatada;
  • Nuggets;
  • Steaks;
  • Hambúrguer;
  • Iscas ou tiras de frango empanados.

Com certeza alguns desses alimentos causam espanto, como o tender, do peito de peru, do nuggets, steaks e tiras de frango empanadas. Eles são alimentos ultraprocessados, que perdem sua característica original, para chegar a forma e consistência diferentes. Porém, é importante ressaltar que eles são considerados embutidos apenas quando são industrializados. Um nuggets caseiro, por exemplo, não pode entrar nessa classificação.

No caso do peito de peru, por ser culturalmente associado às dietas, é visto por muitos como um alimento mais saudável e natural, e não é bem por aí. Afinal de contas, o produto também é processado e possui muitos aditivos químicos. Por isso, é indicada a orientação de um nutricionista para que ele avalie de que forma alguns alimentos, como o peito de peru, possa fazer parte do consumo habitual.

Surpresas positivas

Já outros itens, que para muitas pessoas são considerados como embutidos, na verdade não entram nessa classificação, como o bacon (isso mesmo!), a carne seca e o queijo. Os dois primeiros são confundidos, pois também são carnes processadas, mas passam apenas por procedimentos semelhantes aos embutidos na parte de conservação e de aditivos químicos, tendo riscos para a saúde quando consumidos de forma exagerada. No caso do bacon, existe mais uma justificativa para que ele não seja classificado como alimento processado: é feito de partes não trituradas do porco, como barriga e lombo.

O queijo, por ser um frio como o presunto e o peito de peru, acaba sendo considerado um alimento embutido, mas não é, pois não são feitos de carne de animais. Vale lembrar, no entanto, que alguns tipos de queijo possuem mais conservantes do que outros, e isso os torna mais perigosos para nossa saúde, mas isso não os coloca na classificação de processados. Neste caso, o mais importante é consumir aqueles que tenham baixo teor de sódio.

Os riscos do consumo

Os embutidos têm uma química completamente desconhecida para o nosso organismo, por isso é considerada prejudicial à saúde. Por exemplo, o conservador nitrito de sódio é uma substância perigosa que no estômago se transforma em nitrosamina, composição comprovada cientificamente ser cancerígena se consumida de forma contínua. Sem esquecer da gordura saturada e do sódio em excesso, que podem levar ao aumento das taxas de colesterol , à retenção de líquidos e ao risco de doenças cardiovasculares, como a hipertensão.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um comunicado afirmando que o consumo excessivo de embutidos aumenta o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, especialmente o câncer colorretal. O relatório concluiu que 50 g desse tipo de alimento consumido diariamente, o que equivale a 4 fatias de presunto ou 1 unidade de salsicha, aumentam em 18% a chance de desenvolver câncer.

Outro estudo da Universidade de Glasgow, na Escócia, e publicado no European Journal of Cancer apontou que a ingestão de 9 g de alimentos embutidos por dia (1 fatia de mortadela tem 13 g) aumenta em 21% as chances das mulheres desenvolverem câncer de mama.

Consumo consciente

Diante desse alerta da OMS, a nutricionista diz que menos do que 50 g por dia seria uma quantidade que não traria riscos à saúde, porém, é válido ressaltar que este consumo deve ser evitado sempre, devido aos aditivos químicos, gordura saturada, sódio e alto teor de calorias.

O segredo é simples: quanto menos processado melhor. Uma boa alimentação está relacionada a alimentos pouco processados, como legumes, frutas e salada fresca, consumo de gorduras saudáveis (nozes, abacate e azeite de oliva) e uma composição de dieta baseada nos macronutrientes: carboidratos, gorduras e proteínas.

Fontes: Rosana Farah Toimil, nutricionista, doutora em endocrinologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo e membro da Sban (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição); Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; Weruska Barrios, nutricionista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Juliana Vieira Meireles, nutricionista clínica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; Jacqueline Anversa, nutricionista da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca, em São Paulo e associada ao Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional; Luna Azevedo, nutricionista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fundadora da Clínica Nutrindo Ideias.

Fonte: VivaBem